Mudança Climática é um termo redundante em termos do estudo do Clima da Terra. O Clima é um conceito que resulta da observação das seqüências de tempo (Weather). Por definição aplica-se o conceito de ritmo ao de clima, pressupondo portanto que é variável (Monteiro, 1991). Já que a composição de gases da atmosfera e a distribuição dos fenômenos na superfície terrestre interferem no balanço energético da atmosfera, então as alterações nesta composição e na distribuição e tipo de cobertura da superfície terrestre causam alterações neste balanço. Desta forma, entendemos que o conceito correto é de Impacto Climático decorrente das Ações Humanas (Monteiro, 1991; Ayoade, 1996).
De acordo com o Protocolo de Kyoto deve-se reduzir e controlar as emissões de:
CO2 ( Dioxido de Carbono)
N2O (Oxido Nitroso)
CH4 (Metano)
CS6 (Hexafluoreto de enxofre)
HFCs (HidroFluorCarbonos)
PFCs (Perfluoretos de Carbono)
É posição do IPESA manter uma distância crítica quanto às previsões numéricas referentes a quantos graus aumentará a temperatura da Terra nas próximas décadas. O mesmo em relação a quanto deve aumentar o nível do mar e sobre se vai ficar mais seco ou não, além de outras conjecturas semelhantes. Com relação a outras posturas, como as preconizadas por Hansen (2006) de que o planeta nas próximas décadas viverá as maiores temperaturas e níveis do mar dos últimos 3 milhões de anos, o IPESA entende que isso contraria diversos trabalhos científicos como os de Suguio (1977 e 1999) e Almeida (2004) e toda uma linha científica de investigação que mostra como dentro da mesma escala de tempo houve significativa variação paleoclimática. Foram descritas épocas mais quentes com nível do mar alguns metros acima do atual, bem como com climas bem mais frios com níveis do mar muito mais baixos do que o atual.
Nos últimos 300 anos a composição da atmosfera está mudando através do aumento constante e cada vez mais acelerado na concentração de gases de efeito estufa. As atividades humanas, especialmente as ligadas ao modo de produção industrial e a transformação maciça da paisagem pela agricultura de mercado e urbanização, são as causas deste aumento contínuo na concentração de gases e na diminuição da capacidade natural do planeta se ajustar a esta condição. O aumento contínuo da área total envolvida de forma direta pela economia de mercado representou danos e perdas à qualidade ambiental, aos biomas naturais e à biodiversidade vitais, ao amortecimento da poluição lançada à atmosfera e à reprodução cultural das culturas e comunidades destes dependentes. O desequilíbrio ambiental decorrente das atividades citadas já afeta a qualidade de vida da maior parte da população terrestre e tende a piorar nas próximas décadas (IPCC, 2006).
O desenvolvimento das atividades humanas, causadoras de Impactos Climáticos, são as mesmas, responsáveis também pela atual má distribuição de renda, insegurança alimentar, e conflitos sociais que hoje afetam bilhões de pessoas. Este é um processo contínuo historicamente que está em franca aceleração através do aprofundamento e reprodução das relações sociais de maneira cada vez mais abrangente no espaço. Assim, acreditamos que o desequilíbrio ambiental que causa impactos no funcionamento do clima global é também um problema social.