IPESA - Instituto de Projetos e Pesquisas Sócioambientais
Projeto CO2 Reciclado  
 

O cinema causa impactos ambientais. Ao trabalhar na construção de uma ferramenta de cálculo deste impacto a equipe IPESA se deparou com uma situação inusitada relativa à ausência de dados específicos sobre a liberação de GEE ocorridas durante a produção de um filme.
Selo CO2 Reciclado
Apesar de ser uma indústria muito significativa na atualidade por sua mobilização de recursos, pessoal e distribuição, o cinema passou praticamente ignorado por convenções internacionais voltadas para normatizar a quantificação dos fatores de emissão. Esta aparente dificuldade acabou representando uma oportunidade de consolidar, ou pelo menos iniciar a construção de uma ferramenta (ou um conjunto de planilhas e fórmulas) para calcular os dados de emissão de gases de efeito estufa oriundos do cinema de maneira aplicada. Apesar de a base teórica ser similar aos demais mecanismos de cálculo de emissões (IPCC, 2006), este processo de quantificação para o cinema foi extremamente rico em aprendizado e trouxe ganhos institucionais muito fortes.

Ficou evidente neste processo que os esforços em calcular as emissões de gases envolvidos em quaisquer atividades humanas não é totalmente preciso. Por outro lado, em relação à quantificação da absorção de carbono e gases equivalentes pelos diferentes sistemas naturais e plantios, estes cálculos também passam por constantes revisões (Godoi, 2007; Santos, 2005).

A diversidade de plantas e heterogeneidade de fatores locais e regionais nas áreas de plantio interferem na relação entre absorção e fixação do carbono. Hoje entende-se que o solo tropical se constitui o verdadeiro sumidouro de GEE, e que este potencial é proporcional a complexidade e volume da biomassa sobre ele, de modo que aumenta com o tempo até atingir uma quantidade estável. Ou seja, os solos da Zona intertropical, desde que protegidos por vegetação, tem um altíssimo potencial de absorção de carbono, porém a quantificação deste infelizmente ainda precisa avançar (Santos, 2005).

Entendemos que durante o processo que se inicia a partir do filme Ensaio Sobre a Cegueira, através do trabalho proposto pelo IPESA, mais uma oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre o ciclo de carbono nas diferentes modalidades de plantio agroflorestal no meio tropical e sub-tropical. O projeto desenvolvido garante a absorção de carbono através do crescimento vegetativo das árvores que serão plantadas (Martins, 2004), sabendo que durante o seu crescimento o montante de gases absorvido e retido pela biomassa do solo, pela evolução química e física do mesmo deve superar em muito o total orçado. A forma de plantio agroflorestal evitará que o solo perca o carbono retido anteriormente ao plantio, como acontece num plantio de reflorestamento convencional (Santos, 2005). O projeto priorizará a técnica do plantio direto usando espécies que respeitem o estágio sucessional com diferentes combinações de consórcios entre as espécies selecionadas após o diagnóstico (Primavesi, 1982).

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